17 Abril 2007
PAC X Desenvolvimento Sustentável
O Governo Lula anunciou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como uma nova fase para o país. O PAC vai de 2007 a 2010 com o objetivo de desenvolver o Brasil em setores como habitação, transportes e infra-estrutura. O setor de habitação receberá incentivos para a construção de casas populares além de promover o financiamento dessas residências. A infra-estrutura prevê a construção de mais 3 hidrelétricas, construção de estradas e distribuição de recursos hídricos em regiões de difícil acesso. A iniciativa do Governo a principio é muito louvável, o desenvolvimento do país, mais empregos, mais moradia, saneamento, grandes centros urbanos sem risco de novos apagões, diminuição da taxa de juros, fazendo assim a economia se movimentar, todos estes dados num primeiro momento tornam povo mais otimista. Com uma analise mais profunda desta proposta de crescimento é perceptível o descaso com a questão ambiental. O Programa não prevê um crescimento com base no preceito de sustentabilidade, apesar de anunciar que a legislação ambiental do país é extremamente rígida a Ministra do Meio Ambiente ainda tem dúvidas sobre as concessões de licenciamento ambientais concedidas a grandes construtoras. O Governo procura mostrar a sua preocupação através de regras para saneamento ambiental, mas deixa a desejar nas concessões para a construção de hidrelétricas que acabarão com cursos de rios e afluentes além da fauna e flora existentes nestes locais. A mudança de cursos de rios para disponibilizar recursos hídricos para determinadas regiões traz assoreamento das margens do próprio rio e seus afluentes, terminando assim com a mata ciliar da região. A natureza é sistêmica, tudo está relacionado, os impactos para o aumento da BR 101 repercutirão não apenas nas margens da rodovia, serão sentidos muitas vezes a quilômetros de distância, a natureza é baseada em uma grande teia os programas de desenvolvimento em blocos. Esta relação PAC e desenvolvimento sustentável é mais delicada do que se pode imaginar, muitos acreditam que é impossível um desenvolvimento econômico sem que os recursos naturais sejam utilizados no seu limite máximo. Com toda a certeza a falta de tato da equipe que projetou o PAC pode trazer resultados a curto e médio prazo que serão sentidos até mesmo pelos desenvolvimentistas mais ferrenhos, a movimentação de recursos hídricos pode trazer a seca em locais onde não ocorria e dificultar a vida dos agricultores, base da nossa economia, o desenvolvimento desenfreado das estradas, tão divulgadas como a solução de infra-estrutura, podem trazer malefícios para as regiões onde forem construídas, pois acaba com as espécies de plantas e animais podem acabar trazendo um dano irreversível à biodiversidade local. A construção civil é um capitulo a parte, pois com a pressa que o governo demonstra em construir novas moradias populares pode causar diversos impactos até mesmo nas estruturas públicas, o saneamento ambiental previsto no plano não prevê um aumento nas estações de tratamento atuais. Será que o volume de dejetos não irá sobre carregar o sistema de tratamento de afluentes? Além das questões estruturais há também uma outra pergunta importante que deve ser respondida, nestas moradias populares incentivadas pelo governo serão implantadas medidas para que a utilização de recursos, hídricos, energéticos sejam economizados? Um país que pretende dar exemplo em desenvolvimento precisa preocupar-se com a economia de seus recursos naturais em formas práticas e não apenas em discursos demagógicos. É importante que a população saiba distinguir propostas e manifestar-se sobre o que realmente deseja para o seu país, um modelo que tratará resultados mais imediatistas e a longo prazo terminará com recursos necessários a sobrevivência do homem ou um modelo baseado na sustentabilidade que analisa as questões de maneira sistêmica e procura nos beneficiar deixando o nosso patrimônio para as gerações futuras.
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