19 Julho 2007

Não sou gente grande!!

Quando eu era criança vivia num mundo encantado. A qualquer momento as histórias e personagens mais incríveis poderia surgir, debaixo da cama, na esquina que estava para dobrar, no meio do mato, nas árvores que subia. O meu castelo era feito de pano e madeira velha, minhas jóias eram cipós e sementes. Lutava com os duendes e monstros que se escondiam e ameaçavam meu reino, tinha poderes especiais o meu anel de flor lançava raios do arco-íris e com ele podia enfrentar qualquer perigo. O mundo era emocionante e colorido, nunca conheci alguém tão segura de sua capacidade do que uma criança. Quando somos crianças temos uma luz própria que só sobrevive adolescência se formos seres mais que especiais.

Eu cresci e minha estrela que brilhava e cantava não sobreviveu a encenação que fazemos quando somos adolescentes. Não é por mal, crescemos os hormônios nos incomodam e achamos que a única maneira de sobreviver a toda esta confusão e sendo gente grande, definitivamente.

Como eu me arrependo de ser gente grande agora! Perdeu toda a graça, o meu mundo colorido ficou mais para bicolor, apesar dos meus esforços em juntar uma aquarela daqui e dali e tentar pintar uma flor de duas cores pelo caminho. Cada vez entendo mais o olhar dos mais velhos quando eu tentava crescer e me livrar da minha luz, um olhar de quem sabe que isso não volta e o quanto é maravilhoso ter os pés flutuando a dez centímetros do chão.

Depois do meu discurso nostálgico penso que não me arrependo de ser gente grande, mas tenho uma profunda saudade do todos os lugares encantados que nunca passei e que estão me esperando. Os xamãs dizem que temos que manter viva a chama da criança interior para que possamos manter a luz que faz da vida e do mundo algo mais encantando e menos duro. Preciso de lenha para esta fogueira .... vou procurar e já volto!

Extras:

*Texto resultado da convivência com meus irmãos mais novos, sempre me faz bem estar com eles.

*Não vou comentar o acidente com o avião da TAM, digo que penso o mesmo que muita gente e sou cada vez mais contra o jornalismo Urubu, sempre a espera de uma carniça para atacar.

* Depois de um papo com minha amiga de décadas chego a conclusão que existe muita gente besta, grupo no qual me incluo, esperando a vida passar para dizer o que sente, não quero mais isso na minha vida.Recomendo que todos façam o mesmo.

17 Julho 2007

O nada

A muito tempo não publico nada no Blog. E todos os dias olho para a data na parte superior do post e fico ansiosa. Penso comigo preciso escrever algo e abro o Word, meu pensamento trava e não passo daí. Então pensei em falar do PAN e dos brasileiros medalhistas, sobre a vaia que o Lula levou, mas não ... A verdade é que meu cérebro entrou de férias, ou melhor, greve. O fato é que estou sentimental nestes dias, procurando significados poéticos para quase tudo. Escrevi um poema para um amigo que estava de aniversário, fui ter conversas filosóficas com uma amiga de infância, estou reconstituindo um pouco de mim que estava perdido nos livros de teorias e práticas tecnológicas. Quando eu tiver algo para escrever eu escreverei.... e tenho dito!

*Um extra ... as vezes penso que posso sair quicando como uma bola de tênis. E para ninguém sair traumatizado com este post eu deixo uma letra de música que invade a minha mente a todo o instante.

Olho de Peixe

Lenine

Se na cabeça do homem tem um porão Onde moram o instinto e a repressão(diz aí) O que é que tem no sótão?

Permanentemente, preso ao presente

o homem na redoma de vidro

em raros instantes

de alívio e deleite

ele descobre o véu

que esconde o desconhecido,

o desconhecido

como uma tomada à distância

uma grande angular

é como se nunca estivesse existido dúvida,

existido dúvida

evidentemente a mente é como um baú

o homem é quem decide

o que nele guardar

mas a razão prevalece,

impõe seus limites

e ele se permite esquecer de se lembrar,

esquecer de lembrar

é como se passasse a vida inteira

eternizando a miragem

é como o capuz negro

que cega o falcão selvagem,

o falcão selvagem

06 Julho 2007

A rede

"Nenhum aquário e maior do que o mar, mas o mar espelhado em seus olhos, maior me causa o efeito de concha no ouvido, barulho de mar .... E eu caio na rede, não tem quem não caia!"

Lenine - A Rede

O nado no mar, vasto, verde, profundo. A praia com areia fina e dourada é quase uma carícia quando desliza na pele com o vento. O sol maravilhoso brilha e nada além do mar, verde, lindo. O calor do sol queima minha pele, está calor, muito quente, haaaaaa!!! Acordei, era um sonho... Derramei café na minha calça, droga.

*Momento de cafonice mental.

02 Julho 2007

Eu protesto!

Parece óbvio falar dos últimos acontecimentos, mas acredito que não poderia passar em branco a violência que ocorreu contra a empregada doméstica na zona sul do Rio de Janeiro na semana passada. Este assunto pode até ser passado, afinal agressão aconteceu há dias e o jornal onde ela estava escrita já embrulha o peixe, mas a meu ver este assunto entra na gaveta de casos atemporais, daqueles que não se esquece como foi o assassinato do índio em Brasília, como são os casos de corrupção, como todos os dias os meninos que vejo deitados nas ruas do centro da cidade. Não vou me esquecer e não consigo conceber que alguém possa agredir outra pessoa dessa maneira. Não tenho dados científicos que comprovem que o homem é um ser animalizado, não quero dar um discurso moralista, simplesmente gostaria que alguém me explicasse o que passa na cabeça de alguém que agride dessa maneira o outro, seja este outro uma prostituta ou empregada doméstica. Ninguém me fará entender principalmente o fato de que alguém faz isso por prazer. O mais incrível é pensar que todos os golpes foram na cabeça, parte vital do corpo, então não se trata apenas de machucar, mas sim de matar. Acho que escrevi isso só por desabafo, por que nestes momentos eu não entendo o mundo, acho que nunca vou entender.