28 Março 2008
Um olhar na cidade
12 Fevereiro 2008
Eu sou mais a Amy, e daí?
09 Dezembro 2007
Projeto Matias – I a continuação
- Almoço de família é sagrado!
- Tudo bem!Já ouvi mãe! Será que pode parar de gritar um minuto?
Sempre odiou a maneira como sua mãe grita. Olha no relógio, 12 horas 24 minutos. Matias dá um meio sorriso ao lembrar que na noite passada os gritos de dona Célia eram ecos distantes, enquanto ele estava apenas se divertindo.
A casa de Luisa sempre foi seu lugar favorito, onde poderia beber e rir com os amigos da faculdade. Depois de uma semana vendo o movimento da boca dos professores, sem o som. Não prestava atenção nas aulas. Sua colega Luisa gostava de festas, sabia como organiza-las. Muita cerveja, amigos dispostos a se divertir. Era sempre a mesma coisa embriagante de sempre. Ontem não poderia ter sido diferente. Não lembra quando chegou em casa, apenas que acordou com a mãe aos berros para o almoço, que pelo menos na família Ramos, é a sagrado.
- Me passa a salada.
- Por onde você andou, garoto?
- Uma festa.
Tinha preferência pelas frases curtas em dias de ressaca. Sua mãe sempre queria saber mais. Lembrou que havia deixado Isadora na festa e ido embora com Marcela. “Ela deve ter ficado puta. Ou nem se lembra. Melhor ligar, depois”. Acabava sempre fazendo a mesma coisa. Relação de alto nível. Gostava da idéia de estar livre para fazer o que desejava. E ontem com certeza ele desejava, a Marcela. Uma morena com um belos peitos.
São 15 horas e 17 minutos. Resolve ligar para Evandro, marcar alguma coisa para o final de tarde.
- Alô? Evandro, meu irmão.
- Diz seu canalha como tá?
- De ressaca, mas tô ligando pra marcarmos uma ponte. O que tu vai fazer agora a tardinha?
- Pensei em ver pôr do sol. E me conta, pegou a Marcela?
- O que tu acha? Claro que peguei, não acredito, muito gostosa.
- Você é um grande filha da puta mesmo. E a Isa? Te viu com ela.
- Bah! Não sei. Falando em Isa vou ligar pra ela.
Desligou depressa. Discou o número. Chamou, chamou, chamou, chamou ...
- Alô!Isa, por que tu demora a atender esta merda de telefone?
- Tava comprando um cigarro de verdade, porra. Você me deixou estes mentolados de merda.
- Onde é que tú tá?
- Tu andando um pouco, tô enjoada depois de ontem.
- O que tu lembra de ontem hein?
- Não muito, festa da tua colega. Bebi um pouco, ouvimos música. Alguém me colocou num táxi. Só isso. Por que?
- Deixa pra lá. To passando na praça daqui uns 20 minutos. Vamos ver o sol ir embora.
Ela não recordava nada. Isso acontece sempre com a Isadora. Desde que se conheceram num buteco de bêbados, jogando sinuca. Ela ganhou a partida, Matias pagou as bebidas e quando acordaram no JK, Isa gritava enlouquecida perguntando que ele era. Hoje até parece engraçado, mas na época imaginou que havia transado com uma maluca. Agora já está acostumado, Isa bebe, Isa esquece. Precisa de um cigarro antes de sair.
Rouba o maço da mãe. Talvez porque dona Célia fume mentolados ele tenha se acostumado com aquele cheiro. Resolve ir andando até a praça, colocou os óculos escuros, não queria encara-la nos olhos. Está com a estranha sensação de culpa. Durante os seis meses que estão juntos nunca achou que errava quando traia Isa. Hoje passou por sua cabeça algo está errado. Isadora é uma mulher, uma garota esquisita, neste tempo em que se conhecem quase não sabe sobre a sua vida.
Sabe que mora sozinha, trabalha na recepção de uma funerária, tem mãe, fuma compulsivamente e gosta de ler romances baratos. Analisa que isso é pouco, mas logo pondera que os dois conversam muito pouco. Da um sorriso e pensa no termo cunhado por ele. Relação de alto nível. Um substituto para relação aberta. No inicio realmente era só sexo, com o tempo os dois saiam juntos, alguma conversa, mas no final era sexo. Muito bom por sinal. Matias não queria abrir mão de sua liberdade mesmo achando que tudo era muito divertido. Ela não lembrar das coisas aliviava sua consciência, que às vezes ficava pesada. Por cinco minutos.
Cenas dos próximos erros em breve...
